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domingo, 4 de setembro de 2011

"Há a cultura da tolerância com a corrupção"

MINIENTREVISTA


Gil Castello Branco
Economista
Fundador da ONG Contas Abertas




A corrupção é um problema só do Brasil?
Não, é um fenômeno mundial que atinge todos os países em maior ou menor grau. A Dinamarca e a Nova Zelândia são exemplos de países que sofrem menos. Outros sofrem mais, como Iraque e Afeganistão. O Brasil está naquele grupo de países intermediários no ranking da Transparência Internacional. E está nessa posição há muito tempo.

Qual a causa da corrupção no Brasil?
Você encontra milhões de explicações que começam desde a colonização do país. Na carta de Caminha (Pero Vaz), ele, em uma situação muito boa por ter feito uma grande descoberta, pede ao rei que permita que o irmão retorne a Portugal. O irmão, por ter praticado algum crime, tinha sido deportado para São Thomé. Ou seja, no Brasil, há a cultura dos "amigos do rei", da tolerância com a corrupção. Mas, hoje, temos algumas causas como a falta de transparência do poder público, o excesso de cargos comissionados, a falta de critérios para nomeação dos tribunais, a liberdade no repasse financeiro para as ONGs, as emendas parlamentares, a lentidão do Poder Judiciário, a impunidade.

Então a sociedade contribui para essa situação?
 
Sim. A sociedade é pouco participativa. O Congresso é o espelho da sociedade. O Estado somos nós. O dinheiro que o governo gasta é nosso. Precisamos dessa consciência de que o poder emana do povo. Essa consciência precisa amadurecer. Não basta só o trabalho da Polícia Federal, do Tribunal de Contas. A sociedade também precisa se movimentar.

Mas não houve progresso quanto ao combate à corrupção?
Houve sim. A transparência aumentou muito mas últimas décadas – de 1990 para cá. Hoje você sabe o que o governo federal comprou ontem. A transparência aumentando, amplia o controle social, o que significa melhoria na qualidade e legalidade do gasto. A sociedade está se mobilizando, a Lei da Ficha Limpa é um exemplo. A emenda à Lei de Responsabilidade Fiscal que obriga os municípios com mais de 50 mil habitantes a colocarem as contas na internet em tempo real é outro exemplo. A proposta de lei de acesso à informação que está em tramitação também. (CK)


Fonte: O TEMPO

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