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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Brasil e a grande revolução municipal


Dirceu Cardoso Gonçalves*

 
“Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Há quase oito décadas – desde 1934 – essa frase, com pequenas alterações, encontra-se inserida na abertura das constituições brasileiras. São cinco Cartas Magnas, de diferentes matizes político-ideológicos, que colocam o povo como sujeito gerador e destinatário de todo o poder da República.
Mas, mesmo assim, infelizmente, ainda convivemos com a população ausente e omissa, parecendo não se dar conta da gravidade da corrupção e impunidade que grassa no país. Aproveitando o quadro, a classe política comete desatinos sem que nada (ou quase nada) lhe aconteça como reprimenda. O povo, em vez de agente de seu próprio destino, tem sido utilizado como massa de manobra para golpes e antigolpes, sem ter qualquer benefício por isto.
O distanciamento povo-poder tem sido brutal. Políticos, aproveitadores e até criminosos agem nos escaninhos do poder, pilhando os recursos que deveriam custear os serviços públicos, e o máximo que o povo consegue é ser indiferente ou odiar a classe política. Sentimentos que em nada beneficiam a causa pública, mas permitem que os errantes e embusteiros continuem em sua senda criminosa.
Partindo do raciocínio insistentemente defendido pelo saudoso Franco Montoro, de que “ninguém vive na União e nem no Estado, já que todos moramos no Município”, não é difícil entender que o Município pode ser a grande trincheira para a defesa da moralidade administrativa e do interesse público. Bastará que os cidadãos indignem-se com as falcatruas, de forma ordeira e organizada, fiscalizem e cobrem a atuação de seus vereadores para que estes, na possibilidade de perderem os votos e não se reelegerem, passem a atuar conforme os interesses da população e não o de empreiteiras, de esquemas fraudulentos ou de maus políticos.
Todos os recursos saídos dos cofres da União e dos Estados acabam chegando ao Município, única célula verdadeira de relação entre o poder público e o povo. Mesmo as obras executadas diretamente pela União e pelo Estado passam pelo crivo do Município. Não seria demais que o povo, de forma organizada, discutisse quais os empreendimentos de seu efetivo interesse e, até, rejeitasse os desinteressantes.
Certamente, a União, o Estado seriam chamados a construir e fazer funcionar regularmente mais escolas, a investir em saúde e programa sociais e a não espalhar tantas cadeias que só servem para varrer os criminosos da região metropolitana para as pequenas comunidades interioranas. Também deixariam de existir obras superfaturadas e de interesse político-eleitoral.
Não é demais sonhar que, com as possibilidades de comunicação do mundo globalizado, o povo de todos os quadrantes nacionais ainda faça a grande revolução das bases. Desde os pequenos até os grandes municípios, o cidadão tem tudo para cobrar atuação e decência de seus vereadores e levar estes a fazerem o mesmo em relação aos prefeitos, aos deputados, aos senadores e estes, junto aos governadores e até ao próprio presidente da República. Só quando o povo-patrão descobrir a força que pode ter, o Brasil terá atingido a maioridade política. Oxalá isto não demore muito...
*Tenente PM, dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo.
  Por: AGORA.

2 comentários:

Jonas disse...

Por onde anda o Alfredo Loureiro,não escreve mais,uma pena.

Alberto Peres Costa - Beto disse...

Realmente é uma pena, apesar de ele ser muito polemico e as vezes prolixo, ele abordava assuntos atuais de uma forma "em cima do muro" mas tudo bem.
Fiquei sabendo que ele passou para outro lado e devido a nova atividade, ficou sem tempo para escrever.