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sábado, 15 de outubro de 2011

Pequena empresa trava queda de braço contra mineradora em Minas

Serviços paralisados e 117 desempregados levam pequena empresa do município a travar batalha com mineradora

Marta Vieira - Estado de Minas

Publicação: 13/10/2011 06:35

Abalada pelo fim de um contrato comercial em que apostou todas as suas fichas para crescer e se firmar no ramo do transporte de carga, a pequena empresa Arpus Comércio Importação e Exportação, razão social da transportadora Supra GV Veículos e Peças, trava na Justiça mineira uma luta de Davi contra o gigante Golias, ao acionar a antiga e única cliente desde 2006, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim. Durante os últimos cinco anos, até fevereiro passado, a Supra transportava diariamente o minério retirado da reserva da CBA que fica em Itamarati de Minas, na Zona da Mata mineira, até o terminal de embarque ferroviário da mineradora na vizinha Cataguases.

O que parecia ser um caminho próspero de negócios acabou em paralisação das atividades da prestadora de serviços e no desemprego de 117 pessoas no início do ano, quando a Supra havia se transformado na maior empregadora do município de apenas 5,2 mil habitantes depois da folha de pessoal bancada pela prefeitura. Do rompimento das relações comerciais, restaram à pequena empresa de transportes dívidas de investimentos feitos em equipamentos e na frota de caminhões, além de encargos trabalhistas a acertar em 130 reclamações apresentadas à Justiça do Trabalho. As contas se misturam à cópia do processo judicial que o dono da Supra, José Braz Júnior, consulta ansioso para colocar em dia a vida da empresa.

“A CBA não cumpriu os compromissos assumidos conosco referentes aos volumes de minério previstos no contrato para o transporte e à manutenção das estradas. Tentamos negociar por diversas vezes, mas não fomos ouvidos”, afirma o empresário. A mineradora contesta o antigo prestador de serviços, em nota encaminhada ao Estado de Minas. “Apesar do longo relacionamento sem qualquer problema anterior, após seu encerramento a Supra trouxe novas reivindicações, as quais estão sendo dirimidas na esfera judicial. A despeito desse fato, a CBA esclarece que todas as suas obrigações financeiras estão em dia, sem ônus social para a região”, diz a nota.
Remexendo os documentos no escritório de Belo Horizonte, Braz Júnior afirma que a CBA acordou o transporte de 200 mil toneladas mensais de bauxita, minério de alumínio, e outros 70 mil do minério processado, fluxo que levou a empresa a investir na frota e em pessoal especializado, mas o transporte ficou sistematicamente abaixo da demanda acertada. Ao longo dos últimos seis anos, segundo o dono da Supra, foram investidos R$ 10 milhões em 40 equipamentos, entre caminhões, pás carregadeiras, carretas e veículos.

A transportadora conviveu, ainda, segundo relato de Braz Júnior, com custos altos de manutenção e retífica da frota, em decorrência da falta de manutenção adequada das estradas dentro e fora da mina, serviço que cabia à CBA. Parte das dívidas acumuladas pela Supra está em parcelas mensais de R$ 250 mil decorrentes dos empréstimos contratados junto à linha Finame, de financiamento de maquinário, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para que assegurasse a estrutura de atendimento à mineradora. O empresário afirma que as relações comerciais acabaram encerradas depois de a prestadora de serviços ter insistido numa solução para o descumprimento do contrato.

Em abril passado, o juiz de Direito substituto Edson Geraldo Ladeira acatou o pedido de antecipação de tutela feito pela Supra e determinou que a CBA restabelecesse o contrato até o término do prazo ajustado de 36 meses (até abril 2013), sob pena de multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento, mas a liminar foi cassada pela juíza Cristina Bini Lasmar, em recurso apresentado pela mineradora. O advogado da Supra, Jason Soares de Albergaria Neto, recorreu da decisão. Ele requer perícia judicial para definir o tamanho do prejuízo da empresa. “Entendemos que há excesso de poder econômico de uma empresa em relação a outra. Se não houvesse essa diferença, com certeza o contrato teria sido cumprido”, defende.

Problema reincidente

A paralisação das atividades da Supra gerou protestos dos trabalhadores da empresa e preocupação com o impacto das demissões em Itamarati de Minas. A maioria dos caminhoneiros demitidos já retornou ao trabalho em firmas da região e o comércio local superou dificuldades com inadimplência, segundo lojistas e ex-empregados que preferem não entrar na polêmica. A transportadora Supra, entretanto, não foi a primeira prestadora de serviços a reclamar de um relacionamento desgastante com a CBA no município. Braz Júnior, da Supra, criou como desabafo o site http://www.denunciamineracoesdeminas.com.br/.

Antecessor da Supra na prestação do serviço de transporte à mineradora, Marco Antônio Cadete de Souza, dono da Transportes VT, alega ter acumulado um prejuízo próximo de R$ 2 milhões, ao término de um contrato que durou 10 anos e meio com a CBA, mas decidiu não recorrer à Justiça. O empresário afirma que os problemas começaram a partir do quinto ano de vigência do contrato, quando a empresa passou a dificultar a correção dos preços pagos pelo serviço e descuidou da manutenção das estradas.

“Não houve uma relação de parceria. Era como se a companhia arbitrasse um leilão de preços, praticando os valores que desejasse”, afirma Marco Antônio Cadete. O empresário conta que foi obrigado a vender equipamentos para pagar dívidas que se acumularam em decorrência da defasagem da remuneração paga pela companhia e cortou a folha de pessoal. No ramo do transporte desde o início dos anos 1990, a VT atende hoje outras indústrias e o comércio da região de Cataguazes. A CBA não se pronunciou sobre o relato de Antônio Cadete.

O prefeito de Itamarati de Minas, Herivelton Furtado, evita se envolver no desentendimento entre a CBA e as duas transportadoras, argumentando que a empresa é fonte importante de sustentação do município, mantendo 80 empregos diretos e outros 300 indiretos nos serviços de reflorestamento e recuperação de solo, entre outras atividades. Furtado está trabalhando no projeto de criar uma cooperativa de caminhoneiros para atender não só a CBA como também outras empresas da região, o que ele considera ser a melhor alternativa.

8 comentários:

Leonardo disse...

CBA só pensa nela!!!

evanildomoreira disse...

Gostei de receber por email. Espero que continue assim.

Wellington Dias disse...

Srs.

O prejúizo da VT na verdade chegou perto de R$3.000.000,00(Três Milhões de Reais)

A CBA desconhece a palavra parceria, só olha para seu umbigo e o resto que se dane.

Espero que esta divulgação no Jornal Estado de Minas, faça com que a opinião pública saiba realmente o modo operante da CBA com seus fornecedores, levando-os aos caos empresarial.

Theles Rocha Dias disse...

Quando vemos o trem de ferro passar carregado de Minério, não temos a verdadeira noção do está por trás disso, além de não deixar nada para a nossa Cidade em nenhum centavo em impostos ou mesmo empregos, ainda prejudicam nossa empresas e empresários.
Esta matéria do Estado de Minas, muito bem divulgada pelo blog do Edson, serve de alerta para as nossa forças políticas, uma vez que se faz urgente uma atitude que no mínimo nos traga alguma divisa e benefício para o nosso povo.

POR QUE SERÁ? disse...

POR QUE SERÁ QUE O PREFEITO NÃO QUER ENTRAR NESSE EMBATE? NÃO INTERESSA? HUMMMMMMM

LEIA AQUI O JORNAL disse...

UAI,
MAIS CADÊ A LEI DO VEREADOR GUILHERME.?
O TREM CONTINUA PASSANDO URRANDO AQUI DENTRO DA CIDADE.
QUE VAI COBRAR O CUMPRIMENTO DA LEI?

LEIA AQUI O JORNAL disse...

UAI,
MAIS CADÊ A LEI DO VEREADOR GUILHERME.?
O TREM CONTINUA PASSANDO URRANDO AQUI DENTRO DA CIDADE.
QUE VAI COBRAR O CUMPRIMENTO DA LEI?

leia O JORNAL PATACHOCA disse...

A COPASA ESTA NO SERASA E A PREFEITURA E BANCOS NÃO PODERIA TER NEGOCIADO COM ELA.
ACREDITO QUE ESTE CONTRATO DE ESGOTO PODE SER CANCELADO.
PENA QUE CATAGUASES NÃO TEM POLITICOS QUE INTEREÇA PELA CIDADE OU PARA DEFENDER O POVO.