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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Procura-se dono de Gol vermelho!


Michelle Vasconcelos*
Não. Não. Não. Não encontrei um carro perdido por aí. Aliás, quem abandona um carro? - Você, caro leitor, poderia se perguntar. Acharia loucura, não é?

Carros são bens objetos queridos e valiosos, de alta estima dos seus donos. E isto aqui não é um anúncio. Não procuro o dono do carro, procuro a pessoa que abandonou uma cachorrinha na minha frente, em um matagal, uma cachorrinha sem “marca”, de cor preta e de porte pequeno. Apenas isso. Seria o dono da cachorrinha, então? Bem, não sei se seria politicamente correto chamar de dono, alguém assim. Não sei se a própria cachorrinha não se indignaria comigo por causa disso...

A cachorrinha descartada à própria sorte, sem qualquer proteção, não é um bem capitalista, não é algo de grande estima e valor na nossa atual sociedade, consumista e descartável. Descartável sim! O que fazemos quando nosso celular novo completa três meses? Queremos o mais moderno. O que fazemos com a nossa TV? Trocamos pela mais nova. Os nossos computadores, as câmeras, os eletrodomésticos, os eletroeletrônicos, os automóveis??? Trocamos todos quando achamos que não mais nos convêm. E não diga que nunca fez isso, ou que não desejou os lançamentos das vitrines? É a nossa cultura consumista. É essa mesma cultura que nos ensina, sem querer, que tudo pode ser tratado como “coisa”, e nisso eu falo de sentimentos, pessoas e seres vivos.

Tudo é descartável. Quantas pessoas já descartamos da nossa vida? Quantas pessoas você já não descartou da sua? O teria sido você, leitor, já descartado? Quantas pessoas você não viu ser trocada por uma mais bonita, mais jovem ou interessante? E você vem me dizer que isso é a vida? É essa mesma vida em que as mães abandonam seus bebês no lixo, os jovens abandonam seus pais ou avós, quando começa a senilidade. Parece que a nossa geração do descarte, é a geração da falta de consciência, consciência com o próximo, com o que realmente é importante para a vida, que é a própria vida.

E sobre a cachorrinha? Fico pensando em que exemplo temos para dar aos nossos filhos? Se eu descarto “algo” porque me dá um pouco de trabalho, ou me atrapalha, ou porque consegui algo mais interessante, o que farão nossos filhos conosco quando estivermos mais velhos, ou quando não pudermos dar o que esperam de nós? Não sei se sou tão “puro” para desejar que acontecesse o mesmo com a pessoa. Às vezes não quero ser puro, não aspiro a beatitude. O que aspiro é a dignidade e o respeito. Por isso, prontamente recolhi a cachorrinha, coloquei em lugar seguro, sob minha guarda, com teto, comida e água. Faria o mesmo com um idoso, com uma criança, com qualquer ser vivo, que são descartados aos montes pelas ruas todos os dias. É feio e vergonhoso ver a que ponto chegamos.

E você, leitor, abandonaria seu celular ou carro na rua? E o seu amigo fiel? Ah, o nome dela agora é Vida, e Vida está comigo, agora e sempre! E descartem o Gol, se conhecerem...

*Doutora em Letras
Por.: Agora

Um comentário:

Fernado(sereno) disse...

esta semana em sereno um carro parou e abandonou dois cachorros pequenos com a boca amarrada com corda para eles não gritaram,pena não termos identificado o carro porque já era quase noite.É facil a gente ver pela rua pessoas maltrando animais,mas onde ocorrer,o animal não tem culpa de ser abandonado.