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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

E quando achamos que a repressão acabou, tudo começa outra vez...

 Leandro Costa Vieira*

"Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida..." Pois é! Há poucas horas atrás tivemos o (des)privilégio de assistir centelhas que restaram a partir dos posicionamentos de universitários da Universidade de São Paulo, USP, frente a um direito que lhes diz respeito. E ouvimos da boca das raízes ditatoriais que aqueles estudantes precisam ter aula de democracia. Que democracia é esta que “estes senhores” querem dizer, em vista ao que aconteceu com os jovens que foram agredidos, físico, verbal e psicologicamente? Seria a democracia da chibata? Afirmo como já havia escrito em um texto de julho deste ano que: a ditadura, se não estou enganado, acabou quando, em 1985, assumia o governo do Brasil o primeiro presidente de uma democracia, ainda que com suas falhas, mas que é democracia.
E depois de ver jovens mulheres gritando e jovens rapazes sendo segurados por um policial para que mostrasse seu rosto e outro sendo segurado para não fazer seu protesto com um livro, vejo uma emissora colocar imagens que nada mais são do que uma montagem contra a população da “cidade Universitária”. Gente, eu pergunto:

Que país é esse?


Não sei se consigo acreditar que algumas de nossas lideranças políticas buscam verdadeiramente o combate às diferenças, o fim do preconceito, quando nada mais e nada menos do que houve na maior universidade da América Latina foi puro preconceito, desrespeito, um ato nada democrático e ainda a armação cinematográfica por parte da polícia, como se estivessem indo para luta armada contra setenta terroristas que tinham livros em mãos, colchonetes e seus documentos, que acabaram por serem pisoteados e apreendidos.
O que mais terei de dizer senão que estou insatisfeito, indignado e abismado com tamanha crueldade. Como posso acreditar que alguns homens e mulheres que lutaram contra a repressão, hoje são os repressores e ainda falam em democracia. Falam em ordem pública; julgam-se tão morais mandam “descer o cassetete” em quem for diferente.
Não posso acreditar nessa democracia, não posso crer que os “homens de força” destroem os sonhos dos “homens de livros”. Que liberdade é ser igual, é sempre dizer sim a tudo, e não poder dizer “abaixo ao não-humano!” Precisamos ser cuidadosos, pois 2012 já é anunciado, novo ano e as coisas se repetirão se não formos espertos e colocarmos voto de confiança em representantes da população, aos sujeitos que passaram por muito distante das aulas de democracia. Ainda somos os mesmos e vivemos como reprimidos!

*Arte-educador – extensionista da UFMS

3 comentários:

WASHINGTON MAGALHÃES disse...

Parabens Leandro

O mais impressionante é que esses senhores, armados e montados em animais, estes sim, verdadeiramente democratas (os cavalos) pois não agridem ninguem, esses senhores são pagos por nós. São os nossos impostos recolhidos é que pagam as armas e munições, os uniformes, os salários, tudo, tudo, tudo. E só para nos agredir. Desde cedo aqui aprendemos que ser desrespeitado é um ato comum. Os enlatados do cinema insistem em nos mostrar que não é preciso ordem judicial para entrar na casa de suspeitos. Os Van Damme, Stallone, os Charles Bronson, todos esses heróis do cinema americano nunca mostraram qualquer ordem judicial para entrar na casa dos suspeitos. A coisa fica tão natural que a gente acostuma com ela. E também por aqui. A gente custeia o cacete que nos dão. E ai de quem lutar pelos seus direitos. No Brasil o que mais se precisa aprender, ainda na fase de educação fundamental, é o que é público e o que é privado. Deveria ser ensinado para todos desde criancinha. Mas não. A gente cresce achando que o que é público não é de ninguém. Não tem dono. E da mesma forma aceitamos levar porrada sem levantar a voz. Onde estão nossos direitos? A quem recorrer? Enquanto isso temos que nos bastar com textos como este que acabamos de ver no Blog do Edson. Não podemos aceitar levar essas porradas e ficar quieto. Os repressores são os que foram reprimidos ontem. O que é uma lástima. O grande problema da liberdade é quando nos acostumamos com a falta dela.

WASHINGTON MAGALHÃES

Roberto Guimarães disse...

Baderna na USP
Com toda essa confusão que envolve a USP, seus alunos e a Polícia Militar nos últimos dias, tem horas em que fica até difícil lembrar como é que começou.

Mas o roteiro da baderna é bem simples e poderia ser descrito assim:

1. Três alunos são pegos pela polícia fumando maconha na universidade.

2. A polícia tenta levá-los à delegacia, como manda a lei, e dezenas de estudantes se rebelam, provocando um quebra-quebra.

3. A confusão leva a um debate sobre a presença da PM no campus --não vale esquecer que, nos últimos meses, alunas já foram estupradas e um estudante foi assassinado, tudo dentro da USP.

4. Alguns grupos pouco representativos decidem ocupar a sede da Faculdade de História, Geografia, Letras e Ciências Humanas, mas, horas depois, uma assembleia de mil alunos decide suspender a iniciativa.

5. Mesmo assim, um grupo ainda menor, de 50 pessoas, a minoria da minoria, resolve invadir a reitoria da USP.

6. A Justiça decide que a ação é ilegal e manda a polícia retirar os estudantes, o que é feito sem que ninguém saia ferido.

Assim, fica claro que esse protesto todo é iniciativa de gente que não entendeu que o mundo mudou ou que defende privilégios só porque estuda na USP.

A polícia está lá para combater o crime e não mais para perseguir professores e alunos que lutavam contra a ditadura, que já acabou faz quase 30 anos.

Se estudantes são contra a proibição do consumo de maconha, têm todo o direito de se manifestar. Mas não dessa maneira.

Então não há o que criticar nesse episódio, a não ser a infantilidade dos próprios invasores da reitoria.

Fabrízio disse...

Que me desculpe a minoria dos estudantes baderneiros e drogados, mas mereciam ter apanhado muito mais. Estavam lutando pelo direito de fumar maconha dentro da USP, nada mais. Não querem policiamento no local.

Onde foram para os valores morais e éticos de nossa sociedade?

Entendo por democracia que o seu direito começa onde termina o meu e pode ter certeza a grande maioria dos estudantes não quer conviver com drogas dentro da USP.

Os próprios alunos da USP apoiaram a ação da polícia.

Os valores agora estão se invertendo, os bandidos ditam as regras e tem mais direito que os cidadãos de bem.

ONDE ESTA SOCIEDADE VAI PARAR?