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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Combate ao crack

O governo federal, como foi anunciado, destinará uma verba de R$ 4 bilhões para o combate ao crack no País. A presidenta Dilma Rousseff deverá assinar a ordem de liberação visando ao encontro de mecanismos mais eficientes para o tratamento de usuários, inclusive à liberação de mais leitos hospitalares e casas de tratamento.
Realmente, existe necessidade urgente de um trabalho mais agudo nesse sentido, pois o que se tem observado é que o crime organizado está cada vez mais presente na vida da juventude e, por incrível que possa parecer, vem, também, ganhando adeptos entre adultos que, mesmo sabedores dos problemas que essa droga causa, estão se deixando levar e se perdendo na vida.
Elogiamos o excelente trabalho que vem sendo realizado, num grande esforço, pela Polícia Federal e por outras organizações de segurança no rastreamento e na prisão de traficantes, assim como na apreensão de muitas toneladas de cocaína, maconha, crack e outras drogas, além de armamento que, destruídos, causam grandes baixas nos índices de consumo e poder do submundo, embora se tenha pleno conhecimento de que existe, para respaldar o tráfico, um grande império financeiro, com raízes profundas dentro e fora do Brasil, capaz de responder, prontamente, aos baques recebidos.
Também é sabido que toda a apreensão feita pelos federais e por outras forças paralelas pouco representa diante do volume de drogas que, diariamente, passa pelas fronteiras brasileiras ou que é fabricado em muitos laboratórios organizados e espalhados, nas cidades e na área rural deste imenso território, mas certo é que precisamos manter uma pegada forte, contando, especialmente, com a colaboração da própria população, delatando a presença de traficantes e, com isso, prestando inestimável colaboração no trabalho de defesa da saúde de nossa juventude e do futuro desta nação.
No entanto, com elogio ao dinheiro que está sendo liberado, entendemos que R$ 4 bilhões é, diante do que pode ser alocado pelo crime organizado, muito pouco para um combate eficiente, pois de nada adiantará a simples criação de mais leitos hospitalares, de locais para tratamento de desintoxicação de usuários se não houver um acompanhamento permanente dos ex-viciados. Eles voltarão ao consumo, em índices altos, se forem simplesmente desintoxicados e jogados, novamente, à própria sorte. Terá sido, simplesmente, dinheiro jogado pela janela.
As cracolândias mantêm-se nas grandes, médias e pequenas cidades. Quando atacadas pela polícia, simplesmente mudam de local e, infelizmente, com crescimento contínuo de usuários de todas as camadas sociais, de todas as idades e todos os sexos. Ou nossas autoridades encaram este como um gravíssimo problema a ser solucionado, ou estaremos fadados a perder esta guerra em muito pouco tempo.
Por Moacir Rodrigues
AGORA.

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