Receba atualizações por Email

sábado, 21 de janeiro de 2012

O BBB, os costumes e a sociedade

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves *



Depois de mais de uma década de discutível repercussão, o Big Brother Brasil virou caso de polícia. O negado estupro de vulnerável, que motivou a expulsão de um participante, causa a investigação e chama para a tardia avaliação dos órgãos reguladores dos meios de comunicação e do Ministério Público, quanto à veiculação de imagens e cenas inadequadas. Se for ver as edições anteriores do programa, certamente nelas restarão arranhados os costumes, a moral e os bons princípios, mas precisou ocorrer algo mais grave para chamar a atenção.

A grande guerra pela audiência e – evidentemente – pelos milhões recebidos dos patrocinadores, levaram o programa simplesmente a ousar. Comportamentos polêmicos passaram a fazer parte do dia a dia da casa sem que, pelo menos aparentemente, seus controladores se preocupassem em não escandalizar o telespectador e/ou internauta. Pelo contrário, certos costumes e transgressões ganharam destaque que pareciam fazer parte do objetivo do programa.

A TV, concessão pública, em vez de retratar a realidade das pessoas, parecia buscar a vanguarda dessa realidade e, até, optar por potencializar questões polêmicas. Enquanto buscou mostrar as dificuldades de adaptação, as questões inerentes ao confinamento prolongado e as figuras humanas que entravam no jogo, o BBB chegava a ser até um inocente entretenimento familiar e uma porta de entrada ao estrelato. Vide o caso de Grazy Massafera. Mas quando, deliberadamente, passou a potencializar a bebedeira, o sexo livre e outras questões ainda não bem digeridas pela sociedade, caiu na vala perigosa da difusão de acontecimentos insólitos e até insultuosos.

As luxuosas festas que a “casa” coloca no ar têm sido uma grande contradição à campanha antialcoolismo que o governo e a sociedade tentam empreender. O quadro de costumes inserido na relação entre os participantes massifica para toda a comunidade comportamentos restritos a grupos e particularmente mantidos em discrição pelos próprios praticantes.

Qual a contribuição que um programa como este traz à cultura e ao avanço da sociedade?

Não somos favoráveis à censura, mas o bom senso é indispensável. No passado, o esteriótipo do galã de cinema e a publicidade induziram a sociedade mundial a fumar e a beber. Hoje se investe elevadas somas para corrigir o erro do passado. Será que futuramente não ocorrerá o mesmo em relação aos “valores” que os importados reality-shows como o BBB hoje exibem? É preciso pensar nisso.

A Rede Globo, em nota, assume a responsabilidade pelo programa, e nem poderia ser diferente. Mas, mesmo assim, os órgãos controladores têm o dever de se manter atentos e diligentes quanto à questão cultural e formativa do meio de comunicação. O Ministério Público, a Polícia e o Judiciário também não podem abrir mão de suas prerrogativas de evitar o crime e fazer cumprir as leis. Assim deve funcionar a sociedade organizada, mesmo que isso venha em prejuízo do lucro das grandes corporações...

 
*Dirigente da Aspomil (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)











3 comentários:

WASHINGTON MAGALHÃES disse...

Tenho 61 anos e nunca vi nada tão sem sentido numa emissora de televisão. Nem o Tele Tube, um programinha infantil que tratava as crianças todas como débeis mentais era tão ruim como esse BBB. Alguém me aponte uma coisa positiva nesse programa. E o povão paga caro para manter essa bobagem. Cada ligação é grana que fica para a Rede Globo. Outra coisa: só mesmo o dinheiro para justificar a participação do Pedro Bial. Um jornalista que já fez grandes coberturas, que tinha tudo para deixar seu nome na história do jornalismo brasileiro (e até mundial)se presta a esse tipo de coisa. Só se justifica pela grana preta que recebe. E tenta passar isso para os telespectadores como a maior cara de pau. Acredito que de noite, quando ele se deita para dormir, deve morrer de rir de nós, panacas, (eu me excluo disso) que ficamos pagando para ver as imbecilidades dos participantes. Desse jeito é melhor assistir a Hebe Camargo, o Edir Macedo, o RR Soares, o Valdemiro Santiago, esses outros BBBs que assolam a nossa televisão. Que pena!

Gilmar Bicudo Vargas - Jornalista - RJ disse...

Sr. Washington Magalhães,sua colocação está correta e nem mesmo eu, conhecendo pessoalmente o Pedro Bial, posso entender como ele tem se prestado a tal "aventura". Em conversas com o Pedro, muitas vezes fiquei impressionado com os relatos de coberturas jornalisticas que fez e no entanto hoje e impressiono com o fato de ter deixado essas coberturas para ficar "confinado" a esse programa que não adiciona nada nem muito menos agrega o mínimo de cultura a nossa vida.
A única explicação possível é a financeira.

William Peçanha disse...

...Srs, concordo com todas as palavras escritas, porém, é inegável que o referido programa mantém-se no ar por que há pessoas (e "milhões", segundo o sr. Bial) que o assistem...
É mais ou menos como culpar os políticos pela simples existência deles, e somos NÓS que os colocamos onde estão!
Tenho 51 anos, desde a primeira edição do BBB venho notando uma decadência na "qualidade" apresentada, porém, sabemos todos que, se um produto não é viável, ainda mais em televisão aberta, o seu tempo de vida útil é minimizado.
Concordo inteiramente com o sr. Washington (de quem sou fã incondicional) quando se espanta de um jornalista com tantos méritos quanto o sr. Bial se prestar a um "serviço desses"...
Infelizmente, em uma população já presidida por um sujeito que achava livros muito chatos, não há espaço para indagações sobre "será essa a última edição deste programa"?