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domingo, 1 de abril de 2012

Lembranças...

Ana Luisa Feijo Cosme*



Quem não se lembra do primeiro dia na escola... do primeiro professor... dos colegas... do fantástico medo que se sentia de não fazer amigos... medo esse que tinha fim logo na primeira hora de aula.
As meninas, principalmente, queriam ser iguais a professora em absolutamente tudo. Qualquer semelhança trazia felicidade, o jeito de andar, de amarrar o cabelo, a maneira de falar, a cor da blusa, tudo era motivo para imitar a idolatrada “tia”. Não é assim?
Pois é... sem falar na descoberta do mundo das letras. Aprender a formar a primeira palavra, com a professora ali ao lado, ensinando, várias vezes, o som que cada letra fazia. Formar a primeira palavrinha trazia um grande orgulho para a “tia”, e os elogios dela sempre nos faziam passar o resto do dia reluzentes de tanta alegria.
Que saudade daquele tempo... O tempo em que os alunos queriam ir para escola, queriam aprender, descobrir e conhecer. Uma época em que a escola era um sinônimo de aprendizagem e diversão. Os professores eram cativados e os pais exigiam que os filhos respeitassem aqueles que estavam ali para instruí-los.
Aquela época em que a única briga que tinha em sala de aula era para ver quem conseguiria concluir primeiro a tarefa dada pela professora. Qualquer discussão que houvesse no recreio poderia ser resolvida com uma simples conversa na secretaria. E por falar em secretaria, todos tinham medo de ir para lá. A ameaça de “mandar o aluno para a direção” ou de “levar uma ocorrência” ou então “mandar um bilhete para casa” era assustadora. Esse tipo de coisa fazia com que a maioria da turma ficasse em silêncio, pedisse desculpas e acabasse com o desentendimento.
Já hoje em dia, tudo é muito diferente. Primeiro, porque a expectativa de ir para a escola já não é mais a mesma. Os meninos querem ir para a escola para conhecer algumas meninas e as meninas já chegam maquiadas à escola e vestindo-se como se tivessem quinze anos.
A professora não é mais tão querida como era antes, agora ela é vista como aquela que vai exigir dos alunos, vai privá-los de ficar no pátio, de conversar sobre o dia de ontem, sobre a briga que tiveram etc.
Na hora do recreio, qualquer briguinha já é motivo para os alunos se agredirem, discutirem e acabarem rolando no chão um batendo no outro. Aquela ameaça de mandar chamar os pais na escola no dia seguinte já não surte efeito algum, pelo contrário, alguns alunos ainda são capazes de dizer que isso não importa e que os pais não irão fazer absolutamente nada.
E o pior é que, muitas vezes, estes alunos estão certos, os pais realmente não vão fazer nada. E ainda tem o risco de algum pai ou alguma mãe procurar a escola para dizer que estão “perseguindo” o seu filho. Os alunos já não se importam em descobrir as oportunidades que a escola pode proporcionar, pois estão muito ocupados pensando nas coisas que fazem fora dela. Tudo é mais importante que a aprendizagem.
A pergunta é: Por que tudo mudou dessa forma? Qual o motivo de tudo estar tão diferente? As respostas são várias, talvez seja a falta de pulso dos pais, ou então, a falta de atrativos da escola.
Mas a verdadeira pergunta que devemos fazer é: Como fazemos para que as coisas voltem a ser como eram antes? Talvez esse seja o ponto crucial dos dias de hoje. É preciso que consigamos motivar nossa geração, trazê-los novamente para o mundo fantástico da escola, torná-la motivo de alegria e euforia para quem está chegando e grande orgulho para quem está saindo. Enfim, fazer da escola sinônimo de evolução, de crescimento e, principalmente, a grande esperança para o futuro.



*Formada no Curso de Magistério e acadêmica do Curso de Licenciatura em Letras Português/Literatura na Furg


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