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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Economia de Guerra

              Foto: imageshack.us

Prof. João Marinônio Carneiro Lages*



Dizem que numa reunião de sábios ficou estabelecido que só haveria nova guerra, quando fosse divulgado o último escrito sobre as guerras anteriores...

Como não foi adotada aquela norma, vamos nos referir a 2ª Guerra Mundial, quando o Brasil após várias marchas e contra-marchas, decidiu apoiar os aliados declarando guerra à Alemanha, em 22 de agosto de 1942.

Sob certos aspectos a Economia de Guerra se assemelha em alguns à Economia da Crise, embora a primeira seja mais dramática, por envolver situações de vida ou morte.

Como o Brasil não estava preparado para àquela emergência enviou aos Estados Unidos o cel. Ary Maurell Lobo (com familiares em nossa região) para se especializar no “Army Industrial College”, que treinava o pessoal para as vicissitudes da Economia de Guerra. O cel. Maurell Lobo era um destacado militar, professor da Escola Técnica do Exército, excelente engenheiro de grandes obras civis e de eletrotécnicas, tendo efetuado todo curso de Engenharia Civil com nota 10, com distinção, e executado projetos para o Hotel Quitandinha e grandes empresas da área de infraestrutura.

Ainda em 1942, o Executivo Federal informava: “ao entrar na guerra o Governo Brasileiro tratou logo de aparelhar convenientemente a administração, para atender aos imperativos do conflito, a exemplo do que fizeram as demais nações democráticas...” (estávamos na ditadura Getulista).

Desta forma, foi criada uma Coordenadoria da Mobilização Econômica, com delegado vinculado diretamente ao presidente da República, tendo os mais amplos poderes para mobilizar os recursos do País e também a Comissão da Defesa Econômica, o Tribunal de Segurança Nacional, a Comissão de Ensino de Emergência, a Comissão Central de Requisições e a diretoria da Defesa Passiva Antiaérea.

Através de resoluções da Coordenadoria de Mobilização Econômica iam sendo detalhadas as tarefas, obrigações e limitações para os diversos agentes das atividades econômicas de tal maneira que suas atividades sofressem o menor impacto imposto pelas condições da guerra.

No município do Rio Grande foram sentidos os impactos determinantes da “faixa de fronteira” e de várias empresas que foram incorporadas ao “esforço de guerra” (que dava tratamento especial às entidades classificadas como tal). Aqui, entre outras foram arroladas no “esforço de guerra” as empresas Refinaria de Petróleo Ipiranga, Cia União Fabril e Cia Swift do Brasil.

Por certo a experiência traumática que atingiu a economia nacional serviu de base para ensinar aos administradores públicos e privados a importância de melhor planejar a economia, inclusive para situações de crise.

*Graduado em Economia - UCPel, 1961

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